Sobre a abordagem ecologista/antropocêntrica no desastre do Rio Doce

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O desastre que provocou danos enormes no Rio Doce tem sido considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil. Inúmeros animais foram mortos ou prejudicados de outra forma pelo ocorrido, o que sem dúvida implica que algo deve ser feito para impedir acontecimentos parecidos no futuro e mitigar os danos que aconteceram. Felizmente, há notícias de diversos resgates, por exemplo, de animais que estavam presos na lama ou ilhados.

Entretanto, ao abordar-se os problemas trazidos pelo desastre, têm sido comuns ideias peculiares, que na verdade aparecem em vários casos de tragédias e em geral quando se trata da gestão do meio ambiente.

Entre os mais populares, estão vídeos que mostram os peixes do rio mortos devido à contaminação e pescadores lamentando a falta dos animais, o que é um claro exemplo de antropocentrismo. Outras notícias informam que espécies da área podem ser extintas, que diversos ecossistemas na região não conseguirão se recuperar, ou mesmo que muitas plantas foram soterradas pela lama.

A denominação de maior desastre ambiental também não parece levar em conta os indivíduos mortos, mas sim critérios como área atingida e impactos sobre a economia e os ecossistema.

Recentemente, estes pontos de vista têm sido amplamente questionados como arbitrários e discriminatórios. A esmagadora maioria das vítimas deste caso foram os inúmeros animais não humanos atingidos, que foram e estão sendo sujeitos a grande sofrimento e à morte. Estas vítimas são tratadas com indiferença quando o foco é dado às pessoas que os matam para alimentação, ou a entidades abstratas que não são indivíduos.

A gestão ambiental precisa distanciar seus critérios do ecologismo e alterá-los para não apenas o impacto sobre os recursos de populações humanas, ou sobre entidades naturais, mas incluir os danos aos seres sencientes, e reconhecer que estes merecem enorme prioridade, tanto pelo número de indivíduos envolvidos, quanto pela intensidade dos danos.