Assassinatos altruístas

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Irrelevância da origem dos danos

Ao rejeitar o especismo e dar consideração moral aos animais não-humanos por causa de sua senciência, é preciso levá-los em conta independentemente da origem dos danos que sofrem, então deve ser dada atenção tanto aos que sofrem por ação humana quanto àqueles que sofrem na natureza. É razoável pensar onde a situação deles é ruim ou boa, então onde é preciso agir e com que prioridade e, por fim, buscar exemplos de ações que podem reduzir o sofrimento desses animais. Isso é importante porque animais não-humanos existem em números enormes, e costumam sofrer muito intensamente.

Nesse contexto, alguns autores buscam fazer, a partir de pontos de vista consequencialistas, estimativas da utilidade ou valor líquido analisando diversas consequências de alguma prática ou da vida de alguns indivíduos. Em suma, o valor líquido é positivo quando o bem-estar prevalece e negativo quando predomina o sofrimento; isso se aplica aos diferentes processos que afetam os animais de alguma forma (seja na natureza, na criação para o abate, ou em decorrência da agricultura, urbanização, etc.). Exemplos dessa abordagem aparecem em “Towards welfare biology: Evolutionary economics of animal consciousness and suffering” de Yew-Kwang Ng; “Questions of Priority and Interspecies Comparisons of Happiness” de Oscar Horta; “Crop Cultivation and Wild Animals” de Brian Tomasik.

Embora essas estimativas envolvam grandezas difíceis de mensurar, podem ser feitas considerando valores conservadores e não exagerados e permitem portanto uma boa noção (muitas vezes até mesmo otimista ou moderada) da situação que os animais passam. Dessa forma, mesmo com esses valores conservadores, a conclusão comum desses estudos é que um número enorme de animais, a grande maioria deles, está em péssima condição, em destaque um imenso número de invertebrados, devido à sua alta população e probabilidade de morte prematura e dolorosa, por causas como predação, doenças, parasitismo, inanição, condições meteorológicas, etc. Baseado nisso, por ser muito severa a situação em que estes animais estão, alguns autores defendem corretamente a necessidade e a urgência de, além de combater a exploração dos animais por humanos, apoiar intervenções para reduzir o sofrimento desses animais. Essas intervenções podem ser divididas em dois grupos. Primeiro, aquelas que buscam melhorar a vida selvagem, em resumo, através do uso de tecnologias, monitoramento e prestação de auxílio aos animais; destaca-se a defesa de David Pearce a esta ideia. Segundo, intervenções que buscam não melhorar a vida, mas reduzir a população dos animais selvagens (a contracepção sendo um exemplo), já que fazer isso é relativamente mais fácil e rápido que as medidas do primeiro grupo, e porque o sofrimento agregado pode ser estimado como sendo proporcional às populações dos animais. Contudo, em alguns casos envolvendo o segundo grupo, há divergências sobre as medidas que devem ser escolhidas.

Sacrificando indivíduos pelo bem maior

Existe a ideia de que o grande sofrimento que existe na natureza devido à predação é uma justificativa para a caça de predadores, ou outras formas de causar sua morte, para prevenir o sofrimento das suas vítimas (ver “Policyng Nature de Tyler Cowen). Outra ideia é que para reduzir as populações de animais, principalmente invertebrados, com o objetivo de reduzir seu sofrimento, é algo positivo alterar os habitats onde vivem causando ao mesmo tempo a morte de muitos dos que vivem ali no momento, ou mesmo destruir completamente esses habitats, com a intenção de impedir o surgimento de novas gerações desses animais, e portanto, impedir seu sofrimento. Os pontos de vista por trás dessas ideias aparentam ser na maioria utilitaristas e principalmente utilitaristas de ato. Esse tipo de intervenção envolvendo a morte de animais, por sua vez, também pode ser dividido em dois grupos, sendo que ambos podem coexistir: as intervenções que beneficiam o próprio indivíduo, impedindo seu sofrimento futuro; e aquelas que beneficiam outros indivíduos, como presas ou os descendentes do animal afetado. Assim, justifica-se que alguns indivíduos sejam mortos para evitar seu próprio sofrimento, ou sacrificados para o bem de um grupo ou todo maior. Primeiro será abordado o segundo grupo. O argumento central é que, mesmo com alguns danos a alguns indivíduos, o bem-estar agregado é maior se eles forem mortos, pois muitos outros deixarão de sofrer ou de nascer para ter uma vida miserável.

No entanto, existem alguns problemas com essa abordagem. É possível que a caça de predadores na verdade não tenha um valor positivo, porque apoiá-la explicitamente traz principalmente más consequências. Ao fazer isso para evitar danos causados por certos animais, são difundidas práticas negativas contra todos os animais em geral. Muitas pessoas que veem essa mensagem não interpretam que a caça de certos animais seria um meio para reduzir o sofrimento de outros, em vez disso elas provavelmente interpretam que está bem matar e explorar animais por interesses humanos. Defender a caça de alguns animais com intenção de aumentar a utilidade é algo dificilmente distinguível de matar para alimentação humana ou por outros interesses antropocêntricos ou ecologistas (como matar animais de espécies exóticas).

Além disso, existe muita incerteza sobre as consequências concretas de atividades como a caça. Com a caça de certo predador, suas presas iriam se proliferar e possivelmente sofrer por escassez de alimento ou outros motivos, além disso, muitos predadores atacam presas que por sua vez também são predadoras. Isso ocorre, por exemplo, considerando peixes que comem peixes pequenos e outros animais menores, mas são comidos por peixes maiores, baleias e tubarões e se multiplicariam se estes fossem caçados, e então poderia ser reivindicada a necessidade da caça de uma infinidade de animais para reduzir a predação e aumentar a utilidade, o que seria bastante complicado. Então não está claro se caçando isoladamente um determinado tipo de predador, as consequências serão na verdade redução ou aumento na predação e no sofrimento, ou mesmo redução na população dos predadores. Estudos apontam que armadilhas para matar gatos ferais na verdade aumentam sua população e resultados semelhantes ocorrem com a caça de outros animais. É difícil avaliar as inúmeras consequências de um acontecimento, e um fator desconhecido ou mal conhecido pode inverter os cálculos e assim algo estimado como tendo valor líquido positivo pode passar a ter valor líquido bastante negativo e vice-versa. Desta forma, é difícil afirmar que a caça aumentaria o bem-estar líquido dos animais como um todo e traria as melhores consequências. Já uma alternativa como a contracepção pode chegar aos mesmos resultados de forma mais eficaz, sem prejudicar indivíduos como faz a caça. Portanto, quando as consequências exatas de uma prática não são bem conhecidas e há a possibilidade de consequências muito ruins, como é em particular o caso da caça, é melhor buscar mais conhecimentos sobre o que pode decorrer dessa prática antes de agir, principalmente se ao mesmo tempo essa prática reforça ideias que prejudicam os animais não-humanos, e ao mesmo tempo agir por meio de alternativas mais seguras.

Especismo

Ao encontrar uma pessoa em perigo, praticamente todas as pessoas concordam que devemos prestar auxílio imediatamente, mesmo sem saber ao certo as consequências que esta pessoa traz para o mundo. Então, se rejeitamos o especismo, devemos ajudar também se encontramos algum animal não-humano nessa situação, independentemente da espécie e das consequências da existência do animal. Isso revela elementos especistas na defesa de coisas como a caça de certos animais, porque humanos e outros animais são explicitamente tratados de forma diferente em casos semelhantes. As consequências negativas não são uma justificativa para provocar a morte de um indivíduo senciente. Além do assassinato não ser aceito, a ajuda dificilmente seria negada se quem estivesse em perigo fosse um humano.

Muitos humanos também causam muitos danos a indivíduos sencientes com seu estilo de vida. Mas algumas diferenças entre humanos e outros animais podem ser levantadas para justificar dar-lhes estrategicamente certa consideração diferenciada: (1) humanos podem retribuir o benefício; (2) causar a morte de pessoas incondicionalmente tornaria a sociedade mais violenta e menos cooperativa; (3) fazer isso também seria algo muito marginalizado socialmente, já que iria contra as ideias de quase todas as pessoas.

Porém isso não justifica esse tratamento diferenciado. Isso ocorre porque (1) não se aplica a pessoas distantes (incluindo pessoas que vivem na natureza e matam animais para alimentação, como muitos indígenas) ou sem condições de retribuir (como crianças, idosos, pessoas com deficiência ou pessoas muito pobres) e isso não é uma razão para desconsiderá-las, portanto não é uma razão para considerar menos outros animais; mesmo se (2) fosse um bom motivo, ele não serviria porque também se aplica aos animais, ou seja, também é importante dar a mesma consideração aos animais nesses casos porque caso contrário o especismo seria reforçado e as pessoas se importariam menos e seriam mais violentas com eles, aumentando seu sofrimento; e (3) poderia levar erroneamente as pessoas a não se preocuparem com os danos naturais porque projetos de intervenção na natureza em larga escala para ajudar animais são muito mal vistos pela maioria, e além disso se (3) fosse uma razão apropriada, também poderia ser uma razão para se opor a caça e práticas semelhantes, porque há bastante oposição contra elas (principalmente no ativismo pelos animais) e porque defender estas práticas criaria uma imagem negativas das ideias a favor da intervenção na natureza.

Outro argumento possível para dar consideração moral diferencia a humanos é que, diferente dos animais carnívoros e outros em geral, humanos são agentes morais e podem optar por viver sem causar muitos desses danos, podendo inclusive ajudar a reduzir o sofrimento dos animais. Esse potencial seria um motivo para considerar humanos acima de certos animais. No entanto, esse argumento superestima a importância da humanidade para justificar uma maior consideração, pois é muito improvável que a maioria das pessoas mude para ajudar os animais, e mesmo que façam isso, ainda assim é possível que o impacto de uma pessoa benevolente seja negativo e muito maior que aquele gerado por um predador na natureza, e é ainda muito pior no caso da maioria das pessoas, que não são altruístas. Isso acontece por causa dos diversos animais que são mortos em situações difíceis de evitar, como pisoteio, atropelamento, na agricultura e em outros processos indiretamente. A vida humana se sustenta por vários processos associados a grandes danos aos animais. Devido à alimentação, transporte, indústria, urbanização, geração de energia, consumo e outras atividades, é causado direta ou indiretamente muito sofrimento para os animais, e, por isso, provavelmente a quantidade média de danos gerada por uma pessoa ultrapassa em muito os danos produzidos por qualquer indivíduo de outra espécie. Isso destaca a necessidade e a urgência de mudar os processos antrópicos para minimizar o sofrimento. Além disso, mesmo no caso de pessoas benevolentes, existe o risco de elas agirem de forma ineficaz ou equivocada e na prática não trazerem bons resultados.

Na verdade, o fato de humanos serem agentes morais é mais uma razão contra matar animais. Ao contrário dos humanos, os animais carnívoros não são agentes morais e os danos que causam são necessários à sua sobrevivência (embora isso não seja um motivo para não buscar solucionar o problema), portanto rejeitando o especismo, sua punição ou “policiamento”, ou seja, a morte, tem ainda menos sentido que para humanos que são agentes morais e causam sofrimento desnecessário em boa parte por causa de futilidades. Em geral, punições como matar não costumam ser aceitas nem mesmo para agentes morais, para prevenir mais danos por pessoas que cometeram um crime muito grave, então seu emprego em animais é ainda mais sem sentido. Porém, se as propostas criticadas fossem adotadas sem distinção de espécie, poderiam levar a suicídios ou assassinatos em massa para acabar com vários danos quase inevitáveis. Porém dificilmente é defendido o extermínio de humanos para eliminar os danos que causam e obter maior bem-estar líquido, exceto em algumas doutrinas totalitárias e ditaduras. Até mesmo matar todos os seres sencientes para acabar completamente com o sofrimento seria outra implicação dessas ideias, mas isso dificilmente seria apoiado.

Isso lembra o que sucede também com vários ecologistas, que costumam deixar de defender políticas holistas como a consideração de ecossistemas e espécies em vez (ou acima) de indivíduos sencientes, quando elas afetam humanos. Tal ecologismo é evidentemente especista, mas existe a exceção do ecofascismo de Pentti Linkola, que defende, até em casos envolvendo humanos, proibir migrações, matar indivíduos deficientes, interromper o desenvolvimento de tecnologias, e deixar a natureza seguir seu curso. Embora a motivação seja diferente nos dois casos, o raciocínio é parecido: sacrificar indivíduos (algo considerado inaceitável em certos contextos) para o bem de uma entidade ou coletividade, num caso o equilíbrio dos ecossistemas ou a biodiversidade, e no outro o bem-estar líquido. Isso afasta ainda mais a defesa da caça do antiespecismo e a aproxima de posições ecologistas, como aquelas que defendem matar animais de espécies invasoras em algum ecossistema, por exemplo. Por outro lado, rechaçar a caça ressalta a diferença entre as posições ecologistas ou antropocêntricas e as posições antiespecistas e também é um incentivo à devida consideração pelos animais.

Além de causar muito sofrimento, a maioria das pessoas não se preocupa com esse tema nem mudará de ideia, mesmo que contribuam sem querer para algumas boas consequências. Além de não se preocupar em buscar as melhores consequências para os seres sencientes, ao contrário, grande parte defende ideias naturalistas ou antropocêntricas (ver “Sobre o bem de tudo e de todos: a conjunção impossível entre ambientalismo e libertação animal” de Cátia Faria) que quando concretizadas provoca muito sofrimento. Uma pessoa ecologista que tem um impacto muito negativo (porque além de causar o sofrimento de animais, promove por exemplo a reintrodução de predadores e a morte de animais exóticos, aumentando o sofrimento nessas áreas e causando sofrimento desnecessário), e da mesma forma pessoas como certos indígenas que vivem na natureza e matam animais para comer, gera consequências muito piores que as consequências negativas provocadas por um indivíduo de uma espécie r-estrategista ou um predador, e isso também vale para outras pessoas em casos menos extremos. Um ser humano individualmente mata, numa taxa que cresce de forma não linear, muito mais grandes animais herbívoros que qualquer pedrador de outra espécie, cujos danos por indivíduo, ao contrário, são aproximadamente estáveis. Os Estados também estão cheios de órgãos ambientais que seguem princípios ecocentristas e antropocentristas, e sua atuação muitas vezes prejudica animais. Mas dificilmente é defendida a morte desses ecologistas, enquanto é defendida a de animais cujo dano é muito menor.

Essas ideias poderiam ser usadas para defender a morte de um número enorme de humanos por causa do sofrimento que causam, e, como os parágrafos acima apontam, qualquer consideração instrumental que seja dada a humanos (ligada a relações públicas, a não violar fortemente normas sociais, a agência moral, etc.) também vale quando as vítimas são outros animais, se existir o objetivo de melhorar sua situação e se o especismo for rejeitado e combatido. Por exemplo, promover a caça criaria uma imagem negativa das ideias a favor de reduzir o sofrimento na natureza. Entretanto, matar humanos para maximizar o bem-estar total não é algo que não costuma ser recomendado e fazer isso seria reconhecido corretamente como absurdo. Portanto esses argumentos falham em justificar um tratamento diferenciado a indivíduos humanos.

Destruição de habitats

Além dos abordados na seção anterior, existe outro argumento para isentar humanos com impacto negativo de serem eliminados. Pode ser dito que, através dos processos civilizatórios que prejudicam estes, a humanidade na verdade aumenta a utilidade porque a destruição de habitats de animais selvagens evita novas gerações, reduzindo o sofrimento. De fato, em ambientes muito alterados pela ação humana existe menos sofrimento que em habitats naturais, onde pisoteio, acidentes, e outros danos não antrópicos são mais numerosos por causa da maior população de animais. Esse argumento diz que causar a morte de animais direta ou indiretamente através da destruição de habitats é louvável porque reduz suas populações e assim aumenta o bem-estar líquido, e que destruir a natureza é mais fácil que melhorá-la, pois é algo mais barato e rápido que as alternativas mais complexas, que seriam as melhores se muitas outras pessoas apoiassem essa causa e se houve muito mais recursos. Porém os recursos são limitados e há uma diferença entre o que é viável e o que seria ideal, por isso é preciso estabelecer prioridades e escolher onde focar, e no cenário real provavelmente o sofrimento será menor por meio da destruição de habitats, que é mais barata.

Mas, se a destruição de habitats traz consequências positivas, não segue que isso seja um motivo para dar maior consideração a indivíduos humanos que a outros seres sencientes. Uma razão é que a destruição de habitats é uma consequência de processos coletivos complexos e amplos como a urbanização e a agricultura e não da atuação de indivíduos humanos tomados isoladamente. A participação destes é pouco significativa exceto talvez em pequenas comunidades, assim cada indivíduo humano tem importância e mérito muito pequenos nas boas consequências que esses processos possam ter, e, como os efeitos negativos que humanos provocam a indivíduos sencientes superam em muito essa pequena participação, isso não é suficiente para o tratamento diferenciado em relação aos animais não-humanos. Mesmo que existam vários efeitos positivos, não é justo aplaudir as atitudes da humanidade sem reconhecer e rechaçar seus enormes efeitos negativos e desnecessários para os animais.

Assim, novamente é interessante comparar a destruição de habitats com o que seria feito se as vítimas fossem humanas, para evitar o especismo. No caso de humanos é rechaçado inclusive desalojar pessoas e intervir em suas migrações, e mais ainda destruir seus lares e matar indivíduos. Não seria aplaudido fazer isso numa área rural para urbanizá-la e assim prevenir danos naturais. Mesmo que a ajuda adequada a animais como insetos seja muito mais difícil que o auxílio a humanos, a morte de pessoas em situação extremamente miserável e na qual o sofrimento claramente predomina, através da destruição dos locais onde vivem com o objetivo de evitar o sofrimento atual e futuro, não seria aceita como solução. Obviamente isso seria rechaçado e seriam buscadas outras formas de ajudar, mesmo que isso tome mais tempo e custe mais dinheiro que simplesmente matar as pessoas. Assim como nos casos que envolvem humanos, causar a morte de animais para obter boas consequências significa trair moralmente esses indivíduos.

Pontos de vista que promovem qualquer coisa que seja menos pior que o estado atual em vez de buscar o que é a melhor coisa a fazer ignoram as alternativas e são muito simplistas. Por exemplo, suponha que você encontrou um bebê se afogando, e ninguém além de você pode ajudar, mas então você decide que a coisa mais fácil a fazer é dar um tiro no bebê para prevenir mais sofrimento, em vez de fazer um esforço maior e resgatá-lo. Realmente, agir assim seria menos pior que não fazer nada. Mas o consequencialismo implica em escolher algo quando não existirem alternativas melhores ou menos piores, e isso é amplamente reconhecido em casos envolvendo humanos. Portanto, utilitaristas de ato que não aceitam uma regra, por exemplo, contra matar seres sencientes não têm razões para promover a morte de animais nessas situações, já que existem outras opções melhores ou menos piores como a contracepção. Isso não se aplica somente às opções que já estão disponíveis. Se as alternativas mencionadas não estão largamente disponíveis agora, e, em vez de apoiar agora a morte de animais, esperarmos pelas alternativas ou as incentivarmos, serão provavelmente obtidas consequências melhores a longo prazo, porque não haverá os mesmos danos aos indivíduos afetados e porque será incentivada a devida consideração pelos animais não-humanos.

É correto avaliar os acontecimentos do passado e suas consequências, como a perda de habitat e redução da população de animais devido ao desmatamento, que ocorreu simultaneamente à morte de muito indivíduos. De modo semelhante, pode-se reconhecer que coisas lamentáveis como a escravidão humana, dietas carnívoras e a exploração de animais produziram algumas boas consequências para outros indivíduos ao longo da história, mas isso não impede que o sofrimento devido à escravidão humana ou não-humana seja lamentado com indignação e não significa que a escravidão esteja justificada atualmente por ter trazido boas consequências, ainda mais porque é possível obter essas consequências por outros meios, mesmo que talvez com mais dificuldade. Da mesma forma, pode ser afirmado que a destruição de habitats levou felizmente a uma redução no sofrimento pela prevenção de novas gerações, etc., apesar de ser lamentado o sofrimento dos indivíduos afetados na ocasião, porém isto é diferente de defender essas práticas indiscriminadamente hoje, porque existem outras opções para atingir os mesmos objetivos, mesmo que com mais dificuldade.

É preciso diferenciar a defesa do ambientalismo da defesa dos seres sencientes feita aqui. Enquanto o primeiro se preocupa com a preservação da biodiversidade e do equilíbrio dos ecossistemas, ou venera os processos naturais, o que está sendo defendido aqui é a consideração moral dos animais não-humanos que vivem na natureza e a proteção do bem-estar desses indivíduos.

Focar em boas consequências da destruição de habitats pode levar a uma destruição descontrolada e excessiva que tem perigo de provocar mudanças climáticas e conflitos, por exemplo. A extinção numa escala muito grande também pode ser lamentável (exceto para utilitaristas negativos) porque destruindo toda ou grande parte da vida senciente não-humana, perdemos possíveis cenários futuros contendo vidas felizes que não existirão nesse caso. Embora no momento o sofrimento ultrapasse em muito a felicidade na natureza, futuros ecossistemas felizes de duração indeterminada não deveriam ser descartados ao custo de quantidades enormes porém limitadas de sofrimento atual.

E como no presente há muitas pessoas que promovem a caça ou a destruição de habitats (quase sempre com interesses humanos), não faz sentido apoiá-las promovendo indiretamente esses interesses para buscar o bem dos animais, e em vez disso é preciso expôr seus efeitos negativos. Por isso, em vez da destruição descontrolada, deveria ser promovida a alteração de habitats minimizando os danos aos animais no processo e também não devem ser ignoradas outras estratégias para a redução de populações e dos danos naturais sem prejudicar indivíduos. Entre elas, podem ser usados métodos contraceptivos, modificações genéticas e alimentação carnívora produzida em laboratório, além de outras tecnologias (como defende David Pearce através de suas ideias sobre o Projeto Abolicionista e a Biologia Compassiva); todas essas alternativas são menos prejudiciais que atividades que envolvem matar.

Ajudando o indivíduo. Inseticidas humanitários

Até aqui foi abordada a ideia de sacrificar indivíduos para beneficiar outros, com o objetivo de demonstrar que essa ideia tem vários problemas. Mas quanto a defender a morte para acabar com o sofrimento do próprio indivíduo? É argumentado que muitos animais têm vidas onde experiências negativas são muito mais comuns que as positivas, então suas vidas não valem a pena serem vividas. Tirar suas vidas é poupá-las de uma grande quantidade de sofrimento, semelhante a praticar eutanásia numa pessoa que sofre muito e não têm esperança de cura. Ao contrário daqueles a favor de matar para proteger outros indivíduos, este argumento não é afetado pela objeção que acusa de especismo defender o sacrifício de animais, mas não de humanos, para reduzir o sofrimento de outros, já que aqui o objetivo é o bem do próprio animal.

Podem mesmo ser apontadas algumas vantagens de causar a morte em relação a outras alternativas. As diferenças entre matar e empregar alternativas como a contracepção podem não ser muito intuitivas. A contracepção em larga escala sem dúvida gera menos sofrimento de origem antrópica que práticas como a caça e a destruição de habitats, mas usar a contracepção em vez de matar irá realmente reduzir a quantidade de sofrimento experimentado pelo indivíduo, considerando que de qualquer maneira a criatura e também suas possíveis vítimas morrerão dolorosamente na natureza? E, repetindo, as soluções como a contracepção, com certeza, seriam as melhores se a maioria das pessoas se preocupassem com o sofrimento dos animais selvagens e se houvesse bastante recursos disponíveis para empregá-las em grande escala, entretanto infelizmente essa não é a realidade.

Outra questão relacionada a isso é o uso de “inseticidas humanitários” para matar insetos com menos sofrimento, principalmente na agricultura, já que na agricultura orgânica provavelmente existem mais insetos e mais sofrimento. Possíveis alternativas como repelentes, contracepção e algumas técnicas de bioengenharia são muito bem-vindas, entretanto, como dito acima, elas não tornam a morte dos indivíduos afetados menos dolorosa, porque apenas previnem o sofrimento de gerações futuras (o que já é um grande avanço), enquanto a geração presente ainda sofreria muito mais do que com a aplicação dos inseticidas humanitários. É importante notar também que talvez acusações de especismo não sejam válidas nesse caso, porque, apesar de “homicídios humanitários” serem rechaçados, a situação dos invertebrados sencientes destaca-se e é muito pior que a de qualquer humano e demais vertebrados, que têm maior chance de terem vidas dignas. Invertebrados tipicamente têm um número muito grande de descendentes, a maioria dos quais morre prematuramente. Caberia talvez uma analogia entre a situação desses invertebrados e pessoas doentes que sofrem muito e não têm nenhuma esperança de cura, e então é decidido aliviar seu sofrimento por eutanásia.

Apesar de mortes rápidas serem muito melhores que as lentas, as vidas dos indivíduos têm grande valor, mesmo com sofrimento, e eliminá-las quando existe certa possibilidade de experiências positivas, continua sendo um sério dano. Há controvérsias sobre o peso relativo do interesse em viver comparado ao interesse em não sofrer, ou o peso relativo de experiências positivas e negativas, e assim é incerto quando um ultrapassa o outro e em que casos uma vida vale a pena ser continuada. De qualquer forma, matar sem necessidade animais com vidas dignas em vez de empregar alternativas não é interessante, ainda que estes estejam em pequena proporção. Não há como escolher quais morrerão entre os indivíduos com vidas dignas e os que sofrem muito, (imagine matar humanos sadios para acabar com o sofrimento de vários outros indivíduos). Tais compostos também matariam mais animais em outras áreas por meio do transporte pela água, incluindo vertebrados (que têm mais chances de terem experiências positivas e vidas dignas). Deve ser enfatizado que essas mortes indesejadas obviamente acontecem também na destruição de habitats. Logo, haveria sempre muitos indivíduos sadios mortos em vão. Magnus Vinding menciona outro problema em Speciesism: Why It Is Wrong, And The Implications of Rejecting It:

Mas matar é necessariamente um dano? E se isso for feito de forma indolor?

Como qualquer estudo dos métodos feitos para matar de forma indolor deixa claro (ver por exemplo A Solução Final de Derek Humphry), não existe nenhuma maneira segura de provocar uma morte indolor no mundo real, e esse fato por si só refuta a noção de que matar não é um dano. Seres sencientes não vêm com nenhum botão de desligar. Eles vêm com corpos resilientes, todos eles diferentes, e todos eles programados para enfrentar uma luta difícil pela vida quase independentemente do que lhes é jogado, seja cianeto, balas ou alta voltagem.

Portanto, outras medidas provavelmente são melhores soluções a longo prazo e merecem maior foco. A população de insetos pode ser reduzida fazendo-os terem mais descendentes machos que fêmeas, fazendo-os terem descendentes estéreis em menor número ou esterilizando-os. Essas técnicas já foram usadas com sucesso em larga escala pra prevenir doenças causadas em humanos, e também em culturas agrícolas. Portanto a contracepção e outras técnicas podem ser amplamente promovidas em relativamente pouco tempo para prevenir o sofrimento de outros invertebrados, sem a necessidade de inseticidas. O desenvolvimento de outras tecnologias para ajudar esses animais, e a promoção daquelas que já são viáveis são muito importantes. Conforme diz David Pearce, o principal obstáculo não é a viabilidade de medidas para solucionar esse problema, mas sim sua aceitação moral e social.

Pode ser dito que quando as experiências negativas são predominantes, como no caso dos invertebrados, matar deixa de ser um dano, mesmo que haja certa probabilidade de experiências positivas. Entretanto, esta objeção não está de acordo com o que seria feito em muitos casos envolvendo humanos, porque antes de realizar a eutanásia numa pessoa doente, normalmente tenta-se de várias formas salvar sua vida, mesmo que isso envolva muitos custos, muito tempo e muito sofrimento para a pessoa, e além disso o desenvolvimento de novos tratamentos eficazes é encorajado e aplaudido. Um motivo para isso é a possibilidade de futuras experiências positivas, embora a influência de fatores culturais e religiosos também possa estar envolvida. No caso de pessoas em condições extremamente miseráveis e oprimidas, sofrendo de fome e pobreza (este exemplo pode ser mais adequado que o do paciente eutanasiado num hospital, pois envolve também possíveis indivíduos sadios ou com possibilidade de ter vidas dignas entre os demais), a morte praticamente nunca é apontada com solução para evitar seu sofrimento, mesmo se for muito mais difícil e caro ajudar por outros meios e mesmo que haja pouca probabilidade de haver experiências positivas e de sua condição melhorar a curto prazo. Como já foi visto, não existe motivo para tratar humanos de maneira diferente nesses exemplos, apesar das atuais dificuldades de ajudar seres como os invertebrados. Então em muitos casos a morte dos indivíduos que sofrem pode não ser a melhor solução. Esse trecho do texto Boicote o veganismo enfatiza essa ideia:

Uma de nossas queridas amigas de família, quando eu era criança, era uma menina com uma grave doença neurológica chamada esclerose múltipla. Ela está numa cadeira de rodas desde a infância, e mal consegue mover os braços. Ela está presa na jaula de seu próprio corpo, e o sofrimento tornou-se parte de sua vida. Ela é hospitalizada periodicamente – qualquer tipo de infecção cotidiana pode induzir uma insuficiência respiratória ou cardíaca, porque sua saúde é muito frágil. Lembro de visitar minha amiga quando era criança, quando ela estava ligada a um aparelho respiratório. Ela não podia fazer nada além de abrir seus olhos e acenar com a cabeça. Eu estava sobrecarregado com tristeza, medo e piedade, e depois perguntei a meus pais por que Deus faria coisas tão terríveis a uma menina tão bela e inocente (fui criado como cristão evangélico).

No entanto, apesar de seu sofrimento profundo, minha amiga vive uma vida significativa – e muito mais longa do que os médicos previram (atualmente ela está com mais de trinta anos). E em nenhum momento alguém sugeriu que ela estaria melhor morta, ou que o mundo seria um lugar melhor se ela não existisse. Longe disso, apesar de suas deficiências e de seu sofrimento, sua vida tem valor. Ela pode conversar com as pessoas quando não está doente; ela tem desejos e consciência; e ela tem esperança e sonha com uma cura antes que sua doença tome sua vida. Sua vida é digna de ser vivida, apesar de sua profunda deficiência.

O ponto em que quero chegar é que uma vida de sofrimento não é uma vida sem valor. Há coisas boas que vêm com a vida, assim como coisas ruins, para todos nós. E dizermos que a vida de alguma outra pessoa é sem sentido (que se ela não existisse haveria muito menos mal no mundo!) porque envolve muita dor ou desconforto, é uma afronta à sua autonomia e à sua dignidade individual.

Devemos dizer o mesmo em relação a pessoas não-humanas. Sim, elas podem sofrer e morrer, se nascerem em granjas industriais. Mas não podemos dizer que o mundo seria melhor sem elas, pela mesma razão que não posso dizer que o mundo seria melhor sem minha amiga com esclerose múltipla. Todo humano com EM, e todo pobre porco numa granja industrial, é um indivíduo de valor inestimável, que tem tanto direito à existência, e à recompensa deste mundo, quanto o resto de nós.

Isso não é dizer que não devemos lutar para acabar com o terror, a exploração e a injustiça – sejam de origens naturais ou políticas. Devemos absolutamente fazer tudo que pudermos para ter certeza que toda menina que sofre com EM, e todo porco numa granja industrial, possa um dia correr feliz e livre.

Assim como no exemplo acima, podem existir muitos casos em que a vida de um animal selvagem, que se espera que seja curta e sem valor, seja mais longa e significativa para o indivíduo. As vidas de animais em granjas industriais e da maioria dos animais na natureza podem ser piores do que não ter nascido e reduzir o nascimento de indivíduos nessas condições (e também realizar a eutanásia em casos extremos) é necessário, mas isso não quer dizer que, quando existir certo potencial para sua situação melhorar, no caso dos animais na natureza principalmente por tecnologias em desenvolvimento combinadas com a assistência humana, o melhor a ser feito seja matá-los.

Existe outra dificuldade na ideia de matar para ajudar o indivíduo que é morto, exceto nos casos extremos onde a eutanásia seria de fato o melhor a ser feito. Mesmo se todas as críticas aqui estiverem erradas e mesmo que em muitos casos matar seja correto e seja o melhor para o indivíduo, ainda assim fazer e apoiar isso indiscriminadamente tem o sério perigo de trazer consequências ruins, porque assim como no caso da caça, mortes em larga escala comprometeriam a consideração pelos animais sencientes, pois a grande maioria das pessoas interpretaria que está certo matá-los por interesses humanos e não para evitar seu sofrimento, e a morte de animais por motivos antropocêntricos seria encorajada, já que a destruição de habitats e os inseticidas são historicamente usados por razões antropocêntricas. Assim, outras práticas que prejudicam animais seriam reforçadas e o sofrimento possivelmente aumentaria.

Assim, embora o assunto dos inseticidas humanitários e outros meios de matar para ajudar indivíduos mereçam ser mais desenvolvidos, as razões para ter grande precaução incluem a morte indesejada de indivíduos sadios, a possibilidade da morte não ser “humanitária” na realidade (apesar de obviamente existirem formas mais ou menos dolorosas de morrer), a existência de alternativas que podem ter menor custo/eficácia, o possível especismo presente em comparações com casos envolvendo humanos, e o risco de enfraquecer a consideração pelos animais não-humanos.

Conclusão

Ao longo deste texto foram feitas várias analogias entre casos envolvendo humanos e casos envolvendo outros animais, para questionar a validade de algumas ideias e tentar demonstrar a parcialidade a favor de humanos em muitas delas. Essas analogias, com certeza, são válidas em muitos casos, mas podem ser pensados exemplos onde isso não acontece. Um possível motivo é que existem muitas ocasiões (principalmente com animais de espécies r-estrategistas) onde a situação dos animais é muito pior que a de humanos. Por exemplo, à defesa do uso de repelentes ou da contracepção, poderia ser dada uma resposta com uma analogia dizendo que, caso fossem humanos a serem repelidos de suas residências ou a tomarem contraceptivos de maneira involuntária, isso seria algo tirânico e inaceitável. Porém, o fato é que simplesmente é impossível agir atualmente de uma forma melhor com insetos, porque suas populações são enormes e estão em situação muito mais sofrida que a dos humanos, de forma que não há como dar um destino tão confortável a uns como é dado aos outros. Simplesmente, usar repelentes ou contraceptivos e evitar novas gerações seria provavelmente muito melhor que matá-los ou deixá-los ali para morrer mais dolorosamente através da colheita, operações de manejo, predação, fome ou outras causas. Como esses animais estão numa situação muito pior, alterações que são inaceitáveis se as consequências são sofridas por humanos são aceitáveis e positivas para animais apesar de não serem o ideal, porque sua situação no momento é muito pior.

Entretanto esse raciocínio não pode ser aplicado com sucesso em todo o tema em discussão, porque não corresponde ao caso da caça e da destruição de habitats, já que existem outras formas menos nocivas para reduzir populações e alterar habitats, e por causa das prováveis consequências negativas que isso teria, como já mencionado. Um tema que merece uma abordagem mais detalhada é em que casos a analogia entre animais e humanos é válida e em quais não é. Mesmo assim, quando a vida de alguns animais é considerada tão severa que não há perspectiva de levá-los a um estado digno, e quando analogias com humanos são impertinentes, estes animais continuam sendo indivíduos e têm importância, e sua consideração e proteção são necessárias. E também podem ser imaginados, como buscou-se neste texto, cenários extremos onde a situação de humanos represente razoavelmente a de outros animais.

Argumentos que propõem que animais sofram danos graves para beneficiar uma coletividade precisam explicar se é correto agir da mesma maneira quando os indivíduos são humanos, o que quase sempre é negado. A ideia fascista que tenta justificar sacrificar ou explorar alguns indivíduos para o bem maior de um todo ou grupo mais amplo é um grande problema. Isso é o que defendem ditadores e grupos totalitários e o mesmo erro é cometido por naturalistas e ecofascistas seguidores do holismo ético, quando colocam acima dos indivíduos a biodiversidade, ecossistemas e o equilíbrio natural. Seria muito ruim esse erro, combinado com elementos especistas, também ser cometido ao tentar melhorar a situação dos animais. Quanto a matar um indivíduo para reduzir seu próprio sofrimento, também há uma série de fatos contrários a tal ideia.

Essas conclusões devem ser facilmente aceitas, por exemplo, por defensores da teoria de direitos e dos consequencialismos prioritarista e igualitarista (nestes dois além da soma total, sua distribuição entre os indivíduos também é importante). Utilitaristas e principalmente utilitaristas de ato, entretanto, devem notar também que não está claro se práticas como a caça e a destruição de habitats irão trazem maior bem-estar agregado, pois podem aumentar o sofrimento em outros níveis tróficos ou agravar problemas como mudanças climáticas e conflitos armados. Além disso, a defesa por defensores das ações criticadas aqui também levaria a causa antiespecista e pela redução do sofrimento dos animais a ser confundida com causas ambientalistas e antropocêntricas, podendo promover práticas que prejudicam animais e assim trazer consequências muito ruins a longo prazo. Por outro lado, o texto buscou mostrar que as explicações dadas em alguns casos para dar consideração moral diferenciada a humanos não se justificam. Considerando estes problemas, as reais consequências das práticas que matam animais não-humanos podem ser desastrosas, e essas práticas devem ser abandonadas em favor de suas alternativas.

Não conseguiremos resolver o problema dos danos naturais com a rapidez ideal porque atualmente os recursos e apoiadores são muito poucos, portanto é preciso estabelecer prioridades para agir. Mas isso não é motivo para tomar como prioridades práticas que envolvam provocar a morte de indivíduos sencientes, como o texto buscou demonstrar ao mostrar os problemas e perigos de fazer isso. É melhor dar prioridade a medidas mais seguras, mesmo que tenham maiores custos e outros inconvenientes, que, contudo, são muito pouco comparados aos problemas e perigos analisados. Também é preciso focar na propagação das ideias contra o especismo, contra a veneração da natureza, e particularmente sobre a importância de intervir nos danos naturais. Desta forma, intervenções para reduzir o sofrimento dos animais devem rechaçar assassinatos.

Agradeço a Brian Tomasik e Luciano Cunha pelos comentários e críticas.

Texto atualizado em 13 de setembro de 2015

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Um comentário sobre “Assassinatos altruístas

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