Boicote o veganismo

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Os direitos dos animais apenas começam com a sua dieta

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Ações, não palavras.

-Emmeline Pankhurst1, fundadora da Women’s Social & Political Union, 1903

Torne-se vegano.”

Todos nós ouvimos essas palavras mais vezes do que podemos contar.

A lógica por trás delas é simples. Animais não-humanos, como os animais humanos, têm sensibilidade à dor e ao prazer, vidas sociais e emocionais sofisticadas, e uma profunda ânsia por liberdade e bem-estar. Em virtualmente todas as características moralmente relevantes, eles são nossos iguais.2 Porém bilhões desses indivíduos são torturados e mortos todo ano para alimentação, vestuário e pesquisa. A maneira óbvia de parar a matança, nos dizem, é “tornando-se vegano” – evitando carne e laticínios, encontrando substitutos ao couro, etc. Quando convencermos todo mundo a “tornar-se vegano”, segundo a visão convencional, a exploração institucional dos animais acabará.

Mas essa lógica aparentemente simples é falha. Na verdade, o conceito de veganismo é prejudicial ao movimento dos direitos dos animais. E se você leva a sério trabalhar pela libertação animal, a primeira coisa que você deve boicotar não é nem carne nem laticínios nem ovos. A primeira coisa que você deve boicotar… é o veganismo.

Essa é uma frase provocativa, então deixe-me tornar claro o que eu não estou dizendo. Primeiro, não estou dizendo que comer animais é ético. Não é ético, pela mesma razão por que o canibalismo humano não é ético. Segundo, não estou fazendo uma reclamação sobre a excessiva pureza vegana.3 Embora seja verdade que muitos veganos “nível 5” são provavelmente motivados pela pureza pessoal em vez de princípios éticos, aqueles que mantêm um estilo de vida mais rigoroso que o resto de nós (por exemplo, evitando bicicletas e carros por causa do ácido esteárico na borracha) como parte da ética liberacionista merecem ser elogiados. Terceiro, eu não estou meramente dizendo que veganismo é uma palavra falha. Na verdade, o “veganismo” não seria problemático se fosse uma mera descrição dietética, removida de seu significado como um objetivo do movimento. Porém duvido que um uso tão restrito do termo seria possível, dada sua proeminência no movimento dos direitos dos animais.

O que, então, eu estou dizendo? Em resumo, que os direitos dos animais apenas começam com a sua dieta. A opressão de espécie, como a opressão racial na era pré direitos civis, ou a opressão de gênero na era pré-feminista, silenciosamente penetra toda indústria, instituição e norma cultural em nossa sociedade. Remediar o problema é deste modo um projeto desafiador e abrangente – exigindo mais criatividade, mais compromisso e mais militância do que o establishment vegano predominante sugere. Se o movimento pela libertação animal deve ser bem-sucedido, ele precisa ser um movimento de ação social e política, não somente de palavras e dietas. E pressionar os atores do movimento para esse tipo de ação baseada em princípios – não para o veganismo – é que deve ser nosso principal objetivo. Continuar lendo